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It Doesn’t Have to Always Make Sense

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It Doesn’t Have to Always Make Sense

Postado em 29/09/2026

Palazzo Grimani

Alguns artistas transformam a pintura em uma forma de reescrever a história. Amoako Boafo é um deles.

Na exposição It Doesn’t Have to Always Make Sense, apresentada no Palazzo Grimani, em Veneza, o artista ganês coloca o retrato contemporâneo em diálogo com a tradição veneziana, ocupando salas marcadas por séculos de história com personagens que, durante muito tempo, estiveram ausentes desse repertório.

Boafo começou a concentrar sua produção em retratos de pessoas negras após perceber a baixa representatividade desses corpos na arte contemporânea durante um período em que viveu na Áustria. Desde então, sua pintura passou a investigar identidade, pertencimento e visibilidade, sem abrir mão de uma linguagem profundamente autoral.

A exposição também estabelece conexões entre Gana e Veneza por meio dos tecidos. Papéis de parede inspirados em damascos venezianos, rendas de Burano e bordados aparecem ao lado da técnica característica do artista, que transfere padrões decorativos diretamente para a tela antes da pintura, criando superfícies ricas em textura e significado.

Caminhar por essa mostra foi perceber como um palácio renascentista pode ganhar novas camadas de leitura quando recebe obras que ampliam as narrativas tradicionalmente presentes nesses espaços. Não se trata de apagar o passado, mas de expandir quem faz parte dele.

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