CasaCor São Paulo
Existe um momento, em muitos projetos de interiores, em que a arquitetura está praticamente resolvida e alguém começa a pensar: “agora precisamos colocar algumas obras”.
Acredito que esta lógica possa ser transformada.
A arte não deveria entrar no projeto apenas no final, como aquilo que preenche as paredes que sobraram.
Uma obra pode interferir na definição de uma parede, na circulação, na iluminação, na escala de um ambiente e até na percepção dos materiais escolhidos. Uma pintura pode pedir distância. Uma escultura pode exigir espaço ao redor. Uma fotografia pode funcionar melhor em um ponto de passagem. Uma obra pequena pode ganhar uma presença enorme quando encontra o lugar certo.
Por isso, gosto de pensar a seleção de arte desde o projeto — mesmo quando a aquisição acontece apenas mais tarde.
Na CasaCor São Paulo, esse diálogo aparece de maneiras muito diferentes em cada ambiente. E é justamente observando essas relações que conseguimos perceber quando a arte foi realmente pensada para aquele espaço e quando apenas foi colocada ali.
Para mim, esse é um dos aspectos mais interessantes da curadoria aplicada à arquitetura: não escolher simplesmente o que vai para uma parede, mas pensar que papel aquela obra terá dentro da experiência do espaço.