MASP
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo, no MASP
O que me interessa nessa exposição é perceber como uma prática ancestral pode continuar viva sem permanecer presa ao passado.
Claudia Alarcón trabalha com mulheres do povo Wichí, no norte da Argentina, em um processo que tem no chaguar — fibra vegetal extraída de uma bromélia nativa — sua matéria-prima e na tecelagem um importante meio de transmissão de conhecimento.
As formas geométricas que aparecem nas peças podem, em um primeiro olhar, nos levar para o campo da abstração. Mas elas carregam referências ao território, à natureza, aos animais, às histórias e à cosmologia Wichí.
Existe também uma dimensão coletiva muito forte nesse trabalho. A produção envolve diferentes mulheres e desloca a noção de autoria individual, tão central à história da arte ocidental.
É interessante observar como o MASP apresenta essas obras dentro de um contexto institucional de arte contemporânea, sem separar a produção de sua dimensão cultural, social e territorial.
A exposição nos lembra que uma técnica não sobrevive apenas porque é repetida. Ela permanece relevante quando continua sendo praticada, compartilhada e transformada por quem a mantém viva.