Curadoria nas viagens
Quando alguém vê uma viagem pronta, geralmente enxerga apenas os museus, os restaurantes, as paisagens e os lugares visitados. O que quase ninguém vê é todo o processo que acontece antes do embarque.
Meu roteiro começa com pesquisa. Muita pesquisa.
Sempre procuro informações na língua local e em inglês. Raramente pesquiso em português. Além de ampliar as fontes disponíveis, isso costuma revelar lugares, exposições, cafés, lojas e experiências que muitas vezes passam despercebidos pelos roteiros mais tradicionais.
Salvo tudo o que desperta interesse e, só depois, começo a organizar os pontos no mapa. É nessa etapa que a viagem começa a ganhar forma.
Analiso bairros, distâncias, horários de funcionamento, dias de fechamento e tempos de deslocamento. Costumo deixar o primeiro dia mais leve e próximo ao hotel, para que a chegada seja tranquila e a cidade possa se revelar aos poucos.
Outra coisa que considero importante é o equilíbrio entre os programas. Embora a arte seja sempre um dos principais motivos das minhas viagens, gosto de combinar museus e exposições com arquitetura, gastronomia, compras, jardins, caminhadas e descobertas inesperadas pelo caminho.
Afinal, uma boa viagem não é feita apenas de uma lista de lugares para visitar. Ela é construída pela forma como essas experiências conversam entre si — e também por quem compartilha o percurso conosco.
No fim, planejar uma viagem é um exercício muito parecido com a curadoria: pesquisar, selecionar, conectar e construir uma narrativa capaz de transformar uma sequência de visitas em uma experiência memorável.