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Arsenale

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Arsenale

Postado em 26/07/2026

Bienal Veneza 2026

Quando visitamos uma grande exposição, é natural que a atenção se volte para as obras. Mas, no Arsenale da Bienal de Veneza, uma das experiências mais interessantes acontece justamente nas escolhas curatoriais.

Uma exposição nunca é apenas um conjunto de trabalhos reunidos em um mesmo espaço. Cada decisão — quais artistas participam, como as obras são distribuídas, quais diálogos são criados e até o ritmo do percurso — influencia a forma como percebemos cada trabalho.

No Arsenale, a curadoria constrói uma narrativa que convida o visitante a fazer conexões, identificar recorrências e criar suas próprias interpretações. Em vez de oferecer respostas, ela propõe um percurso de descobertas, em que as obras ganham novos significados quando vistas em relação umas às outras.

Em In Minor Keys, projeto concebido por Koyo Kouoh, a proposta não é chamar atenção para o que é grandioso ou espetacular. A exposição convida o visitante a olhar para aquilo que costuma permanecer em segundo plano: pequenos gestos, memórias, afetos, ritmos e formas silenciosas de resistência.

Essa escolha aparece tanto na seleção dos artistas quanto na maneira como as obras são colocadas em diálogo. Em vez de organizar uma narrativa linear ou impor uma única interpretação, a curadoria cria um percurso baseado em ressonâncias e afinidades, permitindo que diferentes histórias coexistam e que cada visitante estabeleça suas próprias conexões.

Em um momento em que tantas exposições apostam no impacto imediato, o Arsenale escolhe outro caminho: mostrar que a arte também pode transformar nosso olhar por meio da atenção, da escuta e da contemplação. E talvez essa seja a escolha curatorial mais potente desta edição.